Labirinto, seu lindo.

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Segundo a definição de Luis Fernando Veríssimo, “labirinto é o caminho mais rápido entre o ponto A e o ponto B, para quem queira ir para o ponto C“. Composto por corredores intrincados que se cruzam e entrelaçam, labirintos são escolas que ensinam o que é o Barroco. Em vez de uma vereda linear que leva o transeunte de um lugar para outro da maneira mais objetiva possível, o bom labirinto representa uma aventura que desafia seu oponente à perda e ao reencontro de si mesmo. Porque é preciso tatear caminhos, amalgamar lógica e intuição, parar para refletir sobre como percorrer da melhor forma possível divisões e galerias que parece levar a lugar algum.
Perder-se de si mesmo é uma boa maneira de se reencontrar.
Através do ímã de um olhar, surgem a atração e o desejo; fagulhas a partir das quais desencadeia-se a construção do labirinto. Entre conversas e confissões, carícias e convivência, corredores e galerias ordenam-se paulatinamente em complexa tessitura que, quando vai ver, já enredou mais um incauto no centro de sua arapuca.
Zelda Fitzgerald, antes de se desequilibrar na corda bamba da sanidade, escreveu: “buscar amor é buscar um novo começo, um novo ponto de partida na vida“.
A melhor estratégia para explorar esse labirinto talvez seja agir com atenta distração. Escarafunchar o mundo com espírito de criança, com olhos que vaguem distraidamente atentos, capazes de se maravilhar com uma gota de orvalho no retrovisor de um carro, uma joaninha pousada no muro ou a raiz que rompe uma calçada. E, no ato de brincar, descobrir magia no que antes parecia ser tão banal, tateando o mundo como quem soletra pela primeira vez o alfabeto que arquiteta as estrelas.
Amar é perder-se e reencontrar-se no centro de um labirinto.

Uma pessoa racional, frente ao desafio da edificação de um labirinto, cartesianamente chegará à conclusão de que ele deverá ser construído de dentro para fora. Caso contrário, o arquiteto correrá o sério risco de se ver perdido dentro de sua própria criação.Pois bem, o que faz o tal do amor? Contraria todas as regras mais básicas, inclusive essa.
Amar é construir um labirinto de fora para dentro.

Seguir por um corredor que não sabemos aonde vai dar.
Pender entre a esquerda, a direita ou o caminho à minha frente.
Escolher uma galeria, depois se arrepender.
Rever posições, dar alguns passos atrás, repetir os mesmos erros.
Acreditar que encontrou finalmente a saída, quando aquele era apenas o começo.
Zanzar para lá e para cá.
Sentir aquela sensação de déjà vu.
Desesperar-se em meio às bifurcações, dispersar-se, fazer uma pausa em meio ao caos.
Aos poucos, aprender a sentir prazer no puro ato de caminhar.

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“Assim, pelos olhos, o amor atinge o coração:
Pois os olhos são os espiões do coração.
E vão investigando
O que agradaria a este possuir.
E quando entram em pleno acordo
E, firmes, os três em um só se harmonizam,
Nesse instante nasce o amor perfeito, nasce
Daquilo que os olhos tornaram bem-vindo ao coração”
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(poema de Guiraut de Borneilh, citado no livro “O Poder do Mito“, de Joseph Campbell e Bill Moyers)
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