Musicando.

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Queridos,

É de conhecimento público e notório que eu tenho um gosto musical um tanto quanto diferente para os padrões do lugar onde moro.
Sim, eu sou cearense e moro no Ceará desde sempre!
Creio que todos saibam que aqui o tipo de música que a grande maioria gosta é o forró, mas não o forró original… A galera curte um estilo de forró beeeem diferente. Com uma mensagem diferente e com um conteúdo musical um tanto quanto previsível…
Pensando nisso, resolvi fazer uma análise. Por amostragem, é claro… Peguei uma música que escutei no reveillon, na casa do meu irmão onde todos cantavam com grande empolgação.
Eu, fechada no meu mundinho jazzista, nem fazia idéia de que aquilo existia…
Então, resolvi abrir a mente e prestar atenção na ‘música’… Letra e melodia.

Decidi postar a música aqui, com a letra, pra tentar entender, junto com vocês qual seria a mensagem que esta música deseja passar para quem a escuta…
Deixando bem claro que desconheço a autoria!
Vamos à árdua tarefa!

Carro Pancadão
Aviões do Forró

Carro pancadão, Carro pancadão,
Carro pancadão, Carro pancadão,
Carro pancadão, Carro pancadão,
Carro pancadão, Carro pancadão.
(Muito rico esse refrão… Uma rima praticamente impossível de se imaginar!)

Botei quatro rodão, suspensão à ar, vidro fumê, teto solar,
Power DVD, GPS pra rodar, botei banco de couro pra menina se sentar.
(Seguindo meu raciocínio… Um cara pega um carro, mesmo que seja um CHEVETTE, gasta mais com as rodas do que com o motor, coloca uma película e teto solar, GPS e banco de couro pra menina se sentar, aí quando o carro roda 10km pára em lugar ermo por qual motivo? PREGO DE COMBUSTÍVEL!!! Incrível… Mais incrível que isso é a menina que se senta no banco de couro acreditando que um CHEVETTE ‘tunado’ vai dar todo o status que ela quis ter durante a vida)

A mulherada quer
A mulherada gosta
A mulherada pira
A mulherada encosta (2x)
(Atentem para essa parte, muito importante, aliás… A mulherada QUER, GOSTA, PIRA, ENCOSTA… Ora, aí o autor deixa claro que a ‘mulherada’ tá mesmo interessada é no CHEVETTE tunado do distinto rapaz. Será que ele chamou a ‘mulherada’ de interesseira ou foi uma impressão errada?)

Dererererê, Dererererê eu equipei meu carro pra menina enlouquecer
Dererererê, Dererererê eu equipei meu carro pra menina enlouquecer
Dererererê, Dererererê eu equipei meu carro pra menina enlouquecer
Dererererê, Dererererê eu equipei meu carro pra menina enlouquecer
(Esse trecho é tão rico quanto o trecho do início, reservo-me no direito de não comentar sabendo que corro o sério risco de não dar o devido valor à esta música)

Bom, meus amigos, espero que vocês tenham gostado do post!
Desejo-lhes uma semana de muita música! Rica, é claro!!!

Bjinhos jazzistas!

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9 thoughts on “Musicando.

  1. >Oi Glorinha! Sei como você se sente. Moro no interior de São Paulo e o lance por aqui é o "sertanejo universitário". As músicas são assim…"ricas" também. Tem para todos os gostos: dançante, romântica…uma "variedade". Tem um tal de Michel Teló cantando: Ei, Psiu! Beijo, me liga eu tô curtindo a noite te encontro na saída". O mesmo "cantor" "canta": o jeito é dá uma fugidinha com você (se quiser da pra usar um verbo bem proximo, ai a baixaria tá completa). Tem uma dupla ( não me pergunte o nome, não tem espaço na minha cabeça pra esse tipo de coisa) que "canta": Pediu pra eu não ligar. OK. Pediu pra eu não sofrer. OK. Blá, blá, blá OK. Letras super ricas…e isso vende pra caramba. Os shows lotam. Agora a ruína total mesmo fica por conta duma dupla de gêneros nacionalmente conhecida: o funk e o axé. Se, por um lado, temos toda a poesia dos baianos (nada contra o povo da Bahia, adoro a Pitty)do Parangolé "cantando" aquela beleza de letra: pra frente, pra frente, cintura, cabeça tchubirabiron. Mas que porra de significado tem tchubirabiron?Por outro lado temos a vergonha da classe feminina no Rio de Janeiro que atende pela suave alcunha de Waleska Popozuda "cantando": eu vou pro baile, de sainha. Tá, minha filha e daí? Com o tamanho de saia que se usam nesses bailes funks ir pelado ia dar no mesmo.Falta pendurar uma plaquinha no pescoço escrito "me come pelo amor de Deus que eu to desesperada".O povo brasileiro deveria ser mais seletivo em tantos aspectos dessa nossa vidinha de povo de país subdesenvolvido.Beijokas, Glorinha.

  2. >Rapaz…Quando eu digo que não gosto de forró, a negada diz: "Só pq é crente… ô besteira…". Mas a razão pra eu não curtir o forró de hoje em dia foi muito bem explicada pela minha querida prima inteligente jazzista: é um bosta! Bom post Glorinha, e todos vocês, permaneçam não escutando isso! :DBeijo prima!

  3. >Sabe qual a semelhança entre Kosovo, Somália, Bósnia e Ruanda?Em todas elas, antes da eclosão das Guerras Civis que praticamente exterminaram a população, os maiores interessados nas Guerras lançaram "a moda" de músicas de baixo calão de cunho sexista.Tais músicas tinham como padrão serem de letras fáceis de serem decoradas, eram dançantes e embutiam nas mentes dos ouvintes um completo desapego à vida.A correlação entre o aumento de músicas como essas acima e o número de homicídios e latrocínios seria, então, mera coincidência?Às vezes fico puto por ser um cara que sabe correlacionar fatos e analisar sobre aspectos históricos…RIP Sociedade Brasileira.

  4. >Glória, como você leu nos comentários do seu post isso acontece em todo lugar. E não só no Brasil, se produz coisas boas e ruins musicalmente falando em qualquer parte do mundo. Agora, o que comprova o sucesso desse tipo de música, seja com o forró, o sertanejo ou o funk, é que essas pessoas que fazem essas músicas conseguem se comunicar diretamente com a realidade( social, pessoal, financeira) do seu público alvo. Então, 'nós' que não fazemos parte desse grupo de pessoas nos sentimos assim, altamente deslocados e inevitavelmente incomodados. Mas cabe a nós compreender que o fato é muito mais complexo que a gente imagina. Bjs

  5. >Miss, estávamos hoje, eu e o Rafa, ao meio dia, caminhando para o restaurante, quando passa por nós uma Hilux com um som ensurdecedor, esgoelando aos 4 ventos a seguinte obra prima do grupo "Garota Safada":Eu vou zuar e beberVou locar uma VanE levar a mulherada lá pro meu APQue é pra gente beberE depois paragadá…Hoje tem farraVou fazer o movimentoLá no meu apartamentoEntrou, gostou , gamou, quer mais…Já preparei, abasteci a geladeiraTá lotada de cervejaO muído vai ser bom demais…O prédio vai balançarQuando a galera dançarE a cachaça subirFazer zum, zum…Não tem hora pra pararO cheiro de amor no arVai todo mundo pirarE ficar nu (todo mundo nu!)…Eu vou zuar e beberVou locar uma VanE levar a mulherada lá pro meu APQue é pra gente beberE depois paragadá, pa ra ra, pa ra raE depois paragadá, pa ra ra, pa pa raQuer escutar porcaria, tudo bem, mas que escute sozinho. Ninguém é obrigado a ouvir contrariadamente essas aberrações, erroneamente chamadas de "músicas". Por que será que nunca esse som nas alturas é: Richard Wagner, Mendelssohn, Oswaldo Montenegro, Zé Ramalho entre outros? Facilmente explicável né.A propósito, parabéns pelo blog. Muito bem escrito e diversificado. Estou sempre por aqui dando uma olhada.Beijos.

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