A musa da Bossa Nova

Dr. Jairo Leão e sua mulher, dona Tinoca, eram do Espírito Santo, mas foi no Rio que sua carreira de advogado teve êxito. Tinham duas filhas: Danuza, a mais velha, e Nara, que nasceu em 19 de janeiro de 1942 e foi para o Rio aos dois anos. Tinha quatorze quando a Bossa Nova entrou na sua vida. Era 1956. O “Cursinho de Violão” recebeu uma nova aluna: Nara Lofego Leão.

Ao contrário do pai de Menescal, o Dr. Jairo tinha uma outra opinião no que diz respeito ao famoso instrumento. Mesmo antes de existir a escola de violão, Nara já possuia um violão e um famoso professor: Patricio Teixeira, que dava aulas em sua casa. Levava nítida vantagem em relação às colegas de classe, claro. Foi Ronaldo Bôscoli quem descobriu a beleza dos seus joelhos.

Escreve ele: “Chegando lá, toquei a campainha e quem me recebeu foi a própria Nara. Estava de shortinho curto, deixando inteiramente a descoberto seus joelhos redondinhos, que foram objeto de muitas poesias, crônicas e suspiros gerais.”

Nos últimos anos de 1950, trabalhava como repórter, num jornal do Rio. Estreou profissionalmente em 1963, cantando no musical “Pobre Menina Rica”, de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra. Gravou duas faixas no disco de Carlos Lyra “Depois do Carnaval”: “É tão triste dizer adeus” e “Promessas de você”. No ano seguinte, em 1964, gravou seu primeiro LP: “Nara”. Um disco muito polêmico, porque misturou Bossa Nova com samba de morro que “não tinha nada a ver”.

No fim daquele ano gravou o famoso “Opinião” e participou do show-protesto. Como Carlos Lyra, Nara era o que se chamava uma cantora “politicamente engajada”. Em 1965 convidou uma nova cantora, Maria Bethânia, para substituí-la no show. Tornou-se, assim, descobridora da famosa cantora baiana.

1966 foi um ano de grandes sucessos: “A Banda”, de Chico Buarque e “Disparada” de Geraldo Vandré. “A Banda” dividiu com “Disparada” o primeiro lugar no II Festival de Música Popular Brasileira da TV Record. Sucesso fulminante. O compacto vendeu 55 mil cópias em apenas quatro dias. Um tumor, localizado em seu cérebro, causou sua morte em 7de junho de 1989. Ela resistiu quase quatro anos.

Poucas vezes, um poema romântico, neste caso de Castro Alves, foi tão bem adaptado para música, com esta interpretação da Nara Leão para novela O Casarão de 1976.

Aprecie Capricho!  

Bjinhos =*

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