Reeeeeei, Cartola!

Hoje senhores, peço licença para reverenciar um alguém a quem quase idolatro, admiro por demais, me arrepio ao ouvir…
E apesar do atraso da data de seu nascimento, gostaria de homenagear o magistral Angenor de Oliveira, mais conhecido pela ilustre alcunha de Cartola.
Sim, meus ilustres leitores, o nosso Cartola. Um dos grandes tesouros musicais que o nosso país já viu nascer.
A história da vida de Cartola não tem muita diferença da história de milhares de pessoas carentes e nascidas na boemia do Rio de Janeiro.
Com a morte de sua mãe, ele foi trabalhar como ajudante de pedreiro, onde usava um chapéu para se protejer do cimento que acabou por lhe presentear com o apelido que lhe eternizaria. Com tanta dificuldade e uma família grande (como era comum na época) foi morar no morro da Mangueira. Lá sua vida musical se desenharia em um caminho cheio de voltas.
Mesmo com todas as dificuldades que a vida lhe impunha, a música sempre, sempre trazia Cartola para o seu lado. Já foi dado como morto, encontrado lavando carros, dono de um restaurante e só aos 66 anos gravou seu primeiro álbum solo.

A música o tomou por afilhado. Esta é a única explicação decente que eu encontro para entender um talento tão grande e uma história tão improvável.
A Estação Primeira de Mangueira tem um dos filhos mais ilustres desse mundo como seu fundador e entusiasta. O “Pranto de um Poeta que sabe que em Mangueira todos vão chorar quando ele se for”.

Carlos Drummond de Andrade, quando soube que o mestre Cartola estava muito doente, escreveu-lhe uma crônica, homenageando-o e reconhecendo a elegância discreta do grande sambista:

“A delicadeza visceral de Angenor de Oliveira (e não Agenor, como dizem os descuidados) é patente quer na composição, quer na execução. Como bem me observou Jota Efegê, seu padrinho de casamento, trata-se de um distinto senhor emoldurado pelo Morro da Mangueira. A imagem do malandro não coincide com a sua. A dura experiência de viver como pedreiro, tipógrafo e lavador de carros, desconhecido e trazendo consigo o dom musical, a centelha, não o afetou, não fez dele um homem ácido e revoltado. A fama chegou até sua porta sem ser procurada. O discreto Cartola recebeu-a com cortesia. Os dois convivem civilizadamente. Ele tem a elegância moral de Pixinguinha, outro a quem a natureza privilegiou com a sensibilidade criativa, e que também soube ser mestre de delicadeza.” (Jornal do Brasil, 27/11/1980)

A emoção do samba, meus amigos, a história do samba… Esta jamais existiria sem o nosso Cartola.
Ao incrível mestre faço a minha humilde homenagem hoje e, grata pela contribuição mais pura ao nosso samba, o reverencio…

Citando Zeca Pagodinho em um desses momentos de homenagem, tudo que posso dizer é: “Reeeeeeeeeeei, Cartola!”

=*

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