Conhece-te a ti mesmo.

Fiquem com as palavras do indescritível Jules Mazarin em seu “Breviário dos Políticos” nesta véspera da véspera de um feriado lindo.

“És de um temperamento colérico, demasiado tímido ou demasiado audacioso, ou então dominado por uma paixão qualquer? Quais são as falhas de teu caráter, os erros que podes reconhecer em tua maneira de te comportar, na igreja, à mesa, na conversação, em volta de uma mesa de jogo e nas diferentes atividades, em particular as quais praticam em sociedade?

Primeiro, examina-te fisicamente. Tens o olhar insolente, a perna ou o pescoço rígidos demais, a sobrancelha que se franze, os lábios excessivamente frouxos, o andar muito lento ou muito apressado? Se é assim, convém corrigir-te.

Passa em seguida às pessoas que gostas de frequentar. Têm elas boa reputação? São ricas? Avisadas? Pergunta-te em que ocasiões tens tendência a perder o controle de ti mesmo, a deixar-te levar por desvios de linguagem e de conduta. Quando bebes demais durante um banquete. Quando gracejas. Quando uma infelicidade te aflige. Em suma, aqueles momentos em que, como escreve Tácito, “as almas dos mortais são vulneráveis”.

Não és um frequentador de certos lugares suspeitos, bons para o vulgo, mal afamados, em suma, indignos de ti? Deves aprender a vigiar tuas ações, e a jamais relaxar essa vigilância. É a isto que te ajudará a leitura deste pequeno livro: a considerar sempre cuidadosamente em que lugar e em que companhia te encontras e que circunstâncias te levaram a isso, a te conduzires em conformidade à tua posição e em conformidade à posição das pessoas com quem lidas.

É essencial que estejas consciente de todas as tuas falhas e que portanto te vigies. Saibas desde o início que, toda vez que nos deixamos levar por uma tendência ruim, é eficaz impor-se uma prova. Por exemplo, se alguém te lançou palavras ofensivas e sentes tua bílis ferver, faz de modo que nada revele tua cólera. Enquanto as circunstâncias tornarem ineficaz qualquer demonstração de animosidade, contém-te e não procures te vingar. Finge, ao contrário, não ter sentido nenhuma ofensa.

Aguarda tua hora… Arranja-te para que teu rosto jamais exprima nenhum sentimento particular, mas apenas uma espécie de perpétua amenidade. E não sorrias ao primeiro que chega sob pretexto de que recebeste dele um sinal de amizade qualquer.

Outra regra: deves ter informações sobre todo o mundo, não confiar teus próprios segredos a ninguém, mas colocar toda a tua perseverança em descobrir os dos outros. Para tanto, espiona todo o mundo, e de todas as maneiras possíveis.

Jamais digas nem faças nada que possa infringir o decoro, pelo menos em público; pois mesmo se ages espontaneamente e sem más intenções, estejas certo de que os outros, eles, terão sistematicamente más intenções. O melhor é manter sempre uma atitude reservada, embora observando discretamente o que se passa. Cuida, de resto, que tua curiosidade não ultrapasse o limite de teus cílios. É assim, parece-me, que se conduz um homem avisado e bastante hábil para se precaver contra qualquer desagrado.”

#facanodente

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